Teste: novo VW Taos custa o mesmo que T-Cross 1.4 TSI e SUVs híbridos; faz sentido?
Não faltam opções aos que têm R$ 200.000 para comprar um SUV zero-km. É possível pensar em um elétrico como o Chevrolet Captiva EV, híbrido como o GWM Haval H6 HEV2 ou um carro mais tradicional, com motor a combustão, como o Volkswagen Taos, mostrado aqui.
As muitas escolhas à disposição do consumidor representam, na verdade, o grande desafio que o SUV médio da VW tem pela frente, na atualização que recebeu na linha 2026. Não foi por acaso que esse modelo ficou mais barato. A versão Highline teve redução de R$ 22.000, no preço, pulando de R$ 231.990 para R$ 209.990. Para a Comfortline, o desconto foi de R$ 7.000, de R$ 206.990 para R$ 199.990, aproximando-se do T-Cross Highline, vendido a R$ 196.290, e mais barato que o T-Cross Extreme, que custa R$ 203.490. Essa sobreposição entre os VW é outra amostra de como as alternativas nessa faixa de preço são várias.
https://youtu.be/96NAS7yuGeY
Em busca de novos ares, o Taos passou pela típica reestilização de meia vida dos Volkswagen, com novo para-choque dianteiro, que desloca a tomada de ar para baixo, novos faróis de led com formatos orgânicos (neste caso, matriciais) e a tampa do porta-malas com lanternas interligadas (e até logotipo retroiluminado). Tudo para deixar o visual mais cativante. No entanto, o para-choque traseiro inalterado e a lateral sem novidades – inclusive com as mesmas rodas aro 19” de antes, nesta versão Highline – denunciam uma evolução limitada.
A cabine foi atualizada de forma a melhorar a percepção de qualidade a bordo. As portas ganharam uma área revestida de vinil e com costuras contrastantes entre a parte superior das portas e o apoio de braço, e o painel tem apliques prateados que envolvem as saídas de ar, em contraste com partes em preto brilhante.
Painel foi atualizado para parecer melhor e ganhou mais partes macias ao toqueFernando Pires/Quatro Rodas
A central multimídia, agora a VW Play Connect (com 4G) de 10,1”, foi destacada do painel, como mandam as tendências atuais. A despeito da conectividade, o SUV continua sem câmeras de visão 360°, facilmente encontrada nos seus concorrentes diretos.
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Ainda dentro do Taos, acabamentos prateados e cinzas tomaram o espaço dos apliques marrons na cabine, o que também levou a VW a trocar as colunas e tetos pretos, já disseminados pelos Highline de todos os seus modelos, por cinza. E o carpete passou do cinza-claro para o cinza-escuro. O freio de estacionamento eletrônico continua sem auto-hold.
Só o motorista tem banco elétricoFernando Pires/Quatro Rodas
Espaço traseiro ainda é abundanteFernando Pires/Quatro Rodas
Quando foi lançado no Brasil, em 2021, o Taos tinha comandos redondos para o ar-condicionado bizona, mas foram substituídos pelos comandos sensíveis ao toque na linha 2023, no mesmo momento em que o SUV passou a ter sistema de estacionamento automático, Park Assist. O comando do ar permanece o mesmo, mas o Park Assist foi retirado.
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Porta-malas tem capacidade de 498 litrosEm termos de equipamentos de segurança, o Taos 2026 está mais completo. A versão Comfortline passou a ter, de série, faróis full-led matriciais, piloto automático adaptativo, frenagem de emergência com detector de pedestres e assistente de saída de faixa. A versão Highline ainda tem sistema de centralização em faixa, monitor de pontos cegos e assistente de saída de vaga, que identifica pessoas ou carros e pode frear o veículo.
A maior novidade mecânica não é tão inédita assim. É que o câmbio automático de oito marchas substituiu o antigo, com seis e também fornecido pela Aisin, ainda na linha 2025, como parte da estratégia para o Taos atender às exigências do Proconve L8. Mas foi uma novidade anunciada sem alarde, porque o Taos antigo, fabricado na Argentina, já estava com os dias contados. E, mesmo que este novo modelo venha do México, ele mantém o motor 1.4 TSI flex, fabricado em São Carlos (SP), com 150 cv e 25,5 kgfm.
Saída de ar traseira é comum entre os médiosFernando Pires/Quatro Rodas
O rendimento do carro na pista não mudou. Nas provas de 0 a 100 km/h o tempo foi de 10,2 s, da versão anteior, e de 10,5 s, na versão 2026. E, no consumo, as médias variaram, respectivamente de 11,4 km/l para 11,3 km/l, na cidade, e de 14,3 km/l para 14,2 km/l, na estrada. Empate técnico.
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As retomadas foram rigorosamente iguais, exceto na escalada de 80 a 120 km/h, agora cumprida em 7,1 s, ou 0,3 s mais rápido que antes. A rotação do motor a 100 km/h caiu de 1.750 rpm para 1.600 rpm, mas no dia a dia nota–se o motor trabalhando mais sereno em diversas condições.
De lado, o Taos 2026 passa como antigo: as rodas são iguaisFernando Pires/Quatro Rodas
Motor 1.4 TSI segue com 150 cv e 25,5 kgfmFernando Pires/Quatro Rodas
Era para o Taos 2026 aparentar mais essa evolução (do motor), mas é mais fácil notar onde ele piorou. Há uma demora para reagir nas arrancadas (por causa do tempo de reação do acelerador) e nas retomadas (por precisar reduzir mais marchas), chegando a parecer confuso em algumas situações. Ativar o modo Sport (na central) ameniza bem essas características, mas é preciso ativá-lo toda vez que o carro é ligado.
Ser o mesmo Taos de antes sob outros aspectos não é ruim, todavia. A suspensão traseira independente ajuda na estabilidade e no conforto, mesmo que as rodas aro 19” deixem muitas imperfeições do piso mais evidentes. E ainda tem o espaço interno a favor, com uma cabine ampla até para os lados – os passageiros não viajam apoiados nas portas –, e há o porta-malas com 498 l. Com essas características, mas sem ganhos de rendimento, no entanto, o Taos torna-se uma compra pragmática.
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Avaliação
CONSTRUÇÃO E ACABAMENTO
As portas ainda não têm o fechamento tão seco como em outros VW, mas é nítido o maior cuidado com o acabamento. No entanto, o vinil dos bancos é muito rústico.
★★★★
A central multimídia VW Play Connect é funcional e permite usar apps como Spotify e Waze sem necessidade de Android Auto ou Apple CarPlay, que estão disponíveis. Mas o freio de estacionamento eletrônico poderia
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ser ativado automaticamente.
★★★★☆
VIDA A BORDO
O que o Taos mais tem a oferecer é espaço. Ele se destaca entre seus pares pela largura da carroceria, que confere uma sensação de SUV grande.
★★★★★
Embora o Taos não seja o mais lento do seu segmento, é o mais fraco. Ele aproveita bem seu 1.4 TSI, mas perdeu a oportunidade de ir além, seja em potência ou eletrificação do conjunto.
★★★★☆
COMPORTAMENTO DINÂMICO
A suspensão pode parecer firme em certos momentos, mas é culpa dos pneus finos. O Taos lida bem com lombadas e ondulações, e é bastante estável para uma tocada mais forte.
★★★★☆
Na versão Highline, o pacote de equipamentos cumpre bem aquilo que se espera de um SUV médio, com ADAS completo e seis airbags.
★★★★★
Assunto delicado. O Taos 2026 chega com preço mais baixo que alguns rivais, à primeira vista. Mas, enquanto todos têm teto solar de série, o Taos cobra R$ 7.260 para ter esse recurso.
★★★★
Não é que o VW Taos seja um carro ruim, mas ele poderia ter melhorado mais para evitar que seus potenciais compradores se distraiam com outras tantas opções pelo mesmo preço.
★★★★☆
Ficha Técnica – VW Taos Highline 2026
Motor: flex, diant., 4 cil., 1.395 cm³, turbo; 150 cv a 5.000 rpm, 25,5 kgfm entre 1.500 e 3.800 rpm
Câmbio: automático, 8 marchas, tração dianteira
Direção: elétrica
Suspensão: McPherson (diant.), multilink (tras.)
Freios: disco vent. (diant.) e disco sólido (tras.)
Pneus: 235/45 R19
Dimensões: comprimento, 447 cm; largura, 184 cm; altura, 163 cm; entre-eixos, 268 cm; porta-malas, 498 litros; peso, 1.395 kg; vão livre do solo, 185 mm; tanque de combustível, 50 litros
Teste Quatro Rodas – VW Taos Highline 2026
Aceleração
0 a 100 km/h
0 a 1.000 m
31,9 s / 164,3 km/h
Velocidade máxima*
D 40 a 80 km/h
D 60 a 100 km/h
D 80 a 120 km/h
60/80/120 km/h a 0
14,1/25,2/56,8 m
Rodoviário
Ruído interno
Neutro/RPM máx.
37,2 / 65,2 dBA
80/120 km/h
65,5 / 70,6 dBA
Velocidade real a 100 km/h
Rotação do motor a 100 km/h
Preço básico
Condições de teste: alt. 660 m; temp., 24,5 °C; umid. relat., 68%; press., 755 mmHg. Realizado no ZF Campo de Provas.
*Dado de fábrica
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Leia a materia completa na fonte original:
Ver no Quatro Rodas