Nissan Kait é melhor que o Honda WR-V? Comparamos os novos SUVs de entrada
Este ano tinha tudo para ser histórico para as japonesas Honda e Nissan, caso o plano de fusão entre as duas tivesse avançado. Com o casamento desfeito, as marcas voltam a ser concorrentes. E começam 2026, no mercado brasileiro, em campos opostos, cada uma apostando em um novo modelo, no segmento de SUVs de entrada.
A Honda ressuscitou o nome WR-V, usado anteriormente em um derivado do Fit desenvolvido no Brasil. Naquele momento, tratava-se basicamente do mesmo hatchback, com suspensão elevada e alterações pontuais no visual. Agora, o batismo identifica um crossover compacto posicionado abaixo do HR-V e que, desta vez, é produto global – vendido como Elevate em outros países.
O Kait é o Kicks de primeira geração, com novo visual e outro nome… O WR-V não tem nada a ver com o modelo antigo de mesmo nomeFernando Pires/Quatro Rodas
A Nissan adotou uma estratégia diferente. O Kicks foi um sucesso comercial e, com a chegada da nova geração, a marca percebeu que poderia manter a antiga em linha a um preço mais baixo. A solução, aplicada em toda a América Latina, foi rebatizar o modelo como Kicks Play. A estratégia, porém, era provisória, enquanto a Nissan desenvolvia uma nova identidade para seu SUV de entrada, que envolveu não apenas mudanças de estilo, mas também um novo nome: o modelo passou a se chamar Kait.
A rivalidade entre os dois vai além do desgaste causado pelo fim da parceria e está diretamente ligada ao posicionamento de mercado. Ao observar o crescimento do segmento de SUVs de entrada, fica claro que muitos deles se aproximam mais, em porte e proposta, de hatchbacks elevados, como Fiat Pulse, Renault Kardian e Volkswagen Tera.
Diferente do HR-V, o WR-V tem um design bem simples e mais discretoFernando Pires/Quatro Rodas
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Tanto o Kait quanto o WR-V destacam o espaço interno como um de seus principais argumentos. O SUV da Nissan mantém praticamente as mesmas dimensões do antigo Kicks, com 4,30 m de comprimento – apenas 1 cm a menos que o antecessor –, 1,76 m de largura, 1,59 m de altura e entre-eixos de 2,62 m.
O WR-V leva vantagem nas medidas. São 4,32 m de comprimento, 1,79 m de largura, 1,65 m de altura e 2,65 m de entre-eixos. Isso o torna 2 cm mais longo, 3 cm mais largo, 4 cm mais alto e com 3 cm adicionais no entre-eixos. As proporções maiores ajudam a explicar o porta-malas de 458 litros. O bagageiro do Kait, porém, não fica muito atrás, com 432 litros – volume bem acima da média do segmento, em torno de 370 litros.
O SUV traz algumas mudanças visuais na cabine em comparação ao City.Fernando Pires/Quatro Rodas
como as saídas de ar horizontais e a central multimídia flutuanteFernando Pires/Quatro Rodas
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A maior altura do Honda beneficia os passageiros do banco traseiro, com 6 cm extras de espaço para a cabeça em relação ao Nissan. O WR-V oferece 1.000 mm, contra 940 mm do Kait. A Honda também reduziu o espaço destinado às pernas nos bancos dianteiros, que passaram a ter 940 mm, permitindo ampliar a área traseira para 1.020 mm. O Nissan segue a lógica inversa: são 940 mm atrás e 1.006 mm à frente.
Há soluções para reduzir custos, como a grande quantidade de plástico nos painéis e o velocímetro analógico (ao invés de um quadro de instrumentos totalmente digital). WR-V tem saídas de ar, na traseira.Fernando Pires/Quatro Rodas
–Fernando Pires/Quatro Rodas
Há semelhanças na parte mecânica. Ambos utilizam motor aspirado de quatro cilindros associado a um câmbio automático do tipo CVT, uma combinação pensada para manter os custos de produção (e o preço final) sob controle. A Nissan manteve o conhecido 1.6 de 113 cv e 15,2 kgfm, já presente no Kicks Play. O WR-V adota o 1.5 de 126 cv e 15,8 kgfm, compartilhado com City hatch e sedã, e HR-V nas versões de entrada.
A diferença de potência é modesta, de 13 cv (com etanol), mas aparece nos números de desempenho. O Kait acelera de 0 a 100 km/h em 12,4 s, 1 segundo mais lento que os 11,4 s do WR-V. O Honda é ligeiramente mais pesado (1.278 kg, contra 1.139 kg). Mas ainda assim mantém a melhor relação peso/potência (10,14 kg/cv e 10,35 kg/cv – com gasolina). Entram na conta outros fatores, como pneus e transmissão, lógico. Mas a superioridade do WR-V se confirma também nas retomadas. De 40 a 80 km/h, houve empate (5,24 s, para o Kait, contra 5,26 s). Nas demais, o WR-V leva vantagem: 6,4 s, de 60 a 100 km/h, e 8,6 s, de 80 a 120 km/h, frente 7,2 s e 9,9 s registrados respectivamente pelo Kait. Testados sempre com gasolina.
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Versão EX tem revestimento de tecidoFernando Pires/Quatro Rodas
Não falta espaço para pernas e cabeçasFernando Pires/Quatro Rodas
No consumo, o WR-V se mostra mais econômico na cidade, com média de 12,1 km/l, contra 10,8 km/l do Kait; enquanto no uso rodoviário o Nissan se sobressai, com 15,4 km/l, ante 14 km/l do Honda.
Capacidade do porta-malas é de 458 litrosFernando Pires/Quatro Rodas
Ao volante, ambos se comportam de maneira semelhante. Como convém a carros familiares, a prioridade é o conforto, com boa capacidade de filtrar irregularidades do asfalto e curso de suspensão suficiente para evitar batidas secas em lombadas e valetas. Os dois também mantêm estabilidade adequada em curvas, com controle eficiente da inclinação da carroceria – com o Kait sendo mais equilibrado nesse aspecto que o próprio Kicks da nova geração.
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Versões e equipamentos
A nova traseira é muito chamativa, com um estilo inédito para as lanternasFernando Pires/Quatro Rodas
WR-V e Kait são carros para o mesmo perfil de público. Mas as estratégias comerciais das marcas divergem. A Nissan oferece o Kait em quatro versões. A configuração avaliada, Advance Plus, é a segunda mais cara e custa R$ 149.890. De série, traz faróis full-led, rodas de liga leve de 17”, sensores de estacionamento, chave presencial, câmera de ré, seis airbags, frenagem de emergência, assistente de permanência em faixa e carregador sem fio para smartphones. Alguns itens ficam restritos à versão topo de linha Exclusive, como câmera com visão 360o, piloto automático adaptativo e ar-condicionado digital.
Para não falar que é exatamente o interior do Kicks Play, a Nissan fez algumas alterações. As saídas de ar redondas nas extremidades do painel dianteiro foram substituídas por peças retangulares. O quadro de instrumentos ganhou uma segunda tela para o velocímetro e a multimídia nas versões mais caras ficou 1 polegada maior (é da Pioneer).Fernando Pires/Quatro Rodas
–Fernando Pires/Quatro Rodas
O uso do carregador por indução exige cuidado. A combinação do espelhamento sem fio com o carregamento wireless esquenta muito o smartphone. Sem uma saída de ar dedicada a resfriar o celular, a solução é fazer a conexão via cabo USB-A.
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No quadro de instrumentos, o Kait abandona o conjunto antigo com velocímetro analógico e tela TFT central. Agora, há dois displays digitais: um monocromático, dedicado a velocímetro, nível de combustível e quilometragem, e outro voltado às informações de consumo, computador de bordo e sistemas de assistência.
–Fernando Pires/Quatro Rodas
–Fernando Pires/Quatro Rodas
Uma escolha curiosa da Nissan foi substituir a multimídia própria de 8” por uma central de 9” da Pioneer a partir da versão Advance Plus. Apesar de oferecer Android Auto e Apple CarPlay sem fio, o equipamento genérico tem aparência de acessório e funcionamento básico. Também faltou um acerto mais refinado: embora houvesse opção de linhas dinâmicas na câmera de ré, elas não funcionavam no carro avaliado.
Os assentos de tecido têm novo padrãoFernando Pires/Quatro Rodas
O caimento do teto atrapalha um poucoFernando Pires/Quatro Rodas
A Honda, por sua vez, mantém a estratégia de não oferecer versões pouco equipadas e vende o WR-V em apenas duas configurações. A EX custa R$ 147.100 e entrega praticamente os mesmos itens do Kait Advance Plus, com a vantagem de incluir ar-condicionado digital e piloto automático adaptativo de série. A versão EXL, nas fotos, adiciona faróis de neblina em led, barras longitudinais no teto, bancos e volante revestidos de couro, carregador por indução e conectividade do carro com o aplicativo myHonda Connect.
No painel, a Honda preserva o velocímetro analógico combinado a uma tela TFT para as demais informações, solução já conhecida do City e do HR-V. Faltaram recursos que são oferecidos nos City, que usam a mesma plataforma, como o freio de estacionamento eletrônico e o sistema Magic Seat, que permite rebater os bancos de formas diferentes, criando um assoalho reto. A justificativa para a ausência do Magic Seat é de que o tanque de combustível foi reposicionado abaixo dos bancos traseiros. Mas esse item também encareceria o modelo, o que não está nos planos.
Aqui cabem 432 litros de bagagemFernando Pires/Quatro Rodas
No final, o WR-V EX se mostra a escolha mais interessante, mesmo custando R$ 2.790 a mais que o Kait Advance Plus. Ele é um projeto inteiramente novo, mais espaçoso, mais equipado e conta com garantia de seis anos, contra três anos oferecidos pela Nissan. A convivência entre as marcas, agora que a união não se concretizou, com certeza terá outros lances, ataques, disputas. Mas, neste confronto, a Honda leva a melhor.
Mesmo que por uma diferença pequena, o WR-V venceu o Kait neste comparativo por ter um motor mais moderno, mais equipamentos e um custo/benefício melhor.
HONDA WR-V ★★★☆
NISSAN KAIT ★★★
Ponto a ponto
Construção e acabamento
Ambos têm um nível semelhante de construção, com peças bem encaixadas. O acabamento segue a mesma cartilha de disfarçar o uso abundante de plástico com algumas peças em couro ou com materiais texturizados.
HONDA WR-V ★★★
NISSAN KAIT ★★★
O WR-V sai na frente por ser mais equipado desde a versão EX, com piloto automático adaptativo e ar-
-condicionado digital, que o Kait só recebe na versão topo de linha Exclusive.
HONDA WR-V ★★★☆
NISSAN KAIT ★★★
Vida a bordo
Ambos são muito espaçosos e são bem próximos no quesito conforto pelo rodar macio. O Kait ganha meio ponto extra por ser mais silencioso.
HONDA WR-V ★★★☆
NISSAN KAIT ★★★★
Enquanto o consumo médio dos dois carros é similar, o Kait perde nos quesitos de desempenho, por ter um motor mais fraco.
HONDA WR-V ★★★☆
NISSAN KAIT ★★★
Comportamento dinâmico
A experiência nos dois SUVs nas ruas é a mesma, sem transmitir muitas vibrações para a cabine e com uma suspensão que evita que a carroceria incline em excesso nas curvas.
HONDA WR-V ★★★☆
NISSAN KAIT ★★★☆
Vitória do WR-V por contar com um pacote ADAS mais completo na versão EX, já com piloto automático adaptativo.
HONDA WR-V ★★★★
NISSAN KAIT ★★★
A diferença de preço é até pequena, com o WR-V custando R$ 2.790 a menos do que o Kait. Porém,
a Honda oferece uma garantia de seis anos, o dobro da Nissan.
HONDA WR-V ★★★☆
NISSAN KAIT ★★★
Ficha Técnica
Motor: flex, dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, aspirado, 16 válvulas, 1.498 cm³, 126/126 cv (gasolina/etanol) a 6.200 rpm, 15,8/15,5 kgfm (gasolina/etanol) a 4.600 rpm
Câmbio: automático CVT, 7 marchas simuladas, tração dianteira
Direção: elétrica
Suspensão: McPherson (dianteira), eixo de torção (traseira)
Freios: disco ventilado (dianteiro), tambor (traseiro)
Rodas e pneus: liga leve, 215/55 R17
Dimensões: comprimento, 432 cm; largura, 179 cm; altura, 165 cm; entre-eixos, 265 cm; peso, 1.278 kg; tanque, 44 litros; porta-malas, 458 litros
NISSAN KAIT
Motor: flex, dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, aspirado, 16 válvulas, 1.598 cm³, 110/113 cv (gasolina/etanol) a 5.600 rpm, 14,9/15,2 kgfm (gasolina/etanol) a 4.000 rpm
Câmbio: automático CVT, 6 marchas simuladas, tração dianteira Direção: elétrica
Suspensão: McPherson (dianteira), eixo de torção (traseira)
Freios: disco ventilado (dianteiro), tambor (traseiro)
Rodas e pneus: liga leve, 205/55 R17
Dimensões: comprimento, 430,4 cm; largura, 176 cm; altura, 159 cm; entre-eixos, 262 cm; peso, 1.139 kg; tanque, 41 litros; porta-malas; 432 litros
Testes de desempenho e consumo
Aceleração
Nissan Kait
0 a 100 km/h
0 a 1.000 m
33,2 s / 155,8 km/h
34,5s / 147,5 km/h
Velocidade máxima
D 40 a 80 km/h
D 60 a 100 km/h
D 80 a 120 km/h
60/80/120 km/h a 0
12,9/23/51,5 m
14/26,1/57,5 m
Rodoviário
Ruído interno
Neutro/RPM máx.
41 / 71,6 dBA
39,4 / 69,1 dBA
80/120 km/h
66,5 / 71,7 dBA
69,8 / 69,4 dBA
Velocidade real a 100 km/h
Rotação do motor a 100 km/h
Preço básico
Condições de teste: alt. 660 m; temp., 18 /30 °C; umid. relat., 67/63%; press., 768/752,5 mmHg.
Realizado no ZF Campo de Provas
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Leia a materia completa na fonte original:
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