CEO da Volvo diz que carros a combustão serão mais caros que elétricos em 5 anos
Em uma declaração à imprensa de Estocolmo, o CEO da Volvo, Håkan Samuelsson, afirmou que os carros elétricos serão mais baratos que os a combustão dentro dos próximos cinco anos. A avaliação leva em conta a rápida redução no custo das baterias e o avanço de novas soluções industriais capazes de melhorar as margens de lucro dos modelos elétricos.
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A fala de Samuelsson chama atenção em um momento em que os veículos elétricos ainda apresentam preços mais elevados do que modelos equivalentes a gasolina na maior parte dos mercados. Mesmo com custos menores de abastecimento e manutenção ao longo do uso, a barreira do valor de entrada segue sendo um dos principais entraves para a adoção em massa dessa tecnologia. Para o executivo, no entanto, essa diferença é temporária e tende a desaparecer mais rápido do que o esperado.
Volvo EX30 UltraVolvo/Divulgação
Para ele, a queda no valor das baterias, por diversos motivos, e a eficiência produtiva devem eliminar essa diferença de preço atual. A leitura é de que a indústria já entrou em um ponto de inflexão, em que ganhos de escala e ajustes de engenharia passam a pesar mais do que os custos adicionais associados à eletrificação. Nesse cenário, o preço final ao consumidor deixaria de ser um obstáculo estrutural.
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A Volvo já lucra com elétricos
Segundo Samuelsson, ao contrário de outras montadoras que ainda acumulam prejuízos relevantes em suas operações de veículos elétricos, a Volvo já tem seu portfólio eletrificado rentável. As margens ainda são menores do que as dos modelos a combustão, mas permanecem positivas. O executivo reforça que a empresa não vende elétricos com prejuízo como estratégia para ganhar mercado.
Volvo EX60Divulgação/Quatro Rodas
Na avaliação da marca, os elétricos têm papel direto no volume total de vendas e na rentabilidade global da operação. Sem eles, a Volvo teria um portfólio mais limitado e resultados financeiros mais modestos. A eletrificação, portanto, deixou de ser apenas um investimento de longo prazo para se tornar parte relevante do equilíbrio atual da empresa.
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A Volvo chegou a afirmar que se tornaria uma marca 100% elétrica até 2030, mas posteriormente flexibilizou esse objetivo. A transição passou a considerar diferenças regionais, ritmo de implantação de infraestrutura e condições reais de mercado. O foco deixou de ser um prazo fixo e passou a ser a viabilidade econômica da operação.
VOLVO EX90Fernando Pires/Quatro Rodas
Nova arquitetura e baixa no preço das baterias
O EX60, previsto para chegar ao Brasil ainda em 2026, antecipa como a Volvo pretende alcançar a paridade de custos entre elétricos e modelos a combustão. O projeto adota a integração da bateria com a carroceria, além do uso de grandes peças fundidas e motores desenvolvidos internamente. Com isso, a marca elimina estruturas redundantes, reduz a quantidade de materiais e simplifica a montagem.
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A expectativa é aproximar as margens de lucro dos elétricos às de modelos como o XC60 a combustão. Veículos maiores, como o EX90, ainda devem apresentar rentabilidade inferior, mas a diferença tende a diminuir com a evolução dessa arquitetura.
Volvo EX30 UltraVolvo/Divulgação
Samuelsson destaca a adoção mais ampla de células LFP, que utilizam matérias-primas mais baratas que as baterias NMC. Embora as baterias de sólido sigam sendo tratadas como uma promessa de longo prazo, o CEO relativiza seu impacto imediato. Para ele, os avanços na atual tecnologia de íon-lítio, aliados ao aumento de escala, já são suficientes para mudar o equilíbrio de custos.
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Ele ainda afirma que o mercado estadunidense é mais favorável aos modelos elétricos e híbridos plug-in citando o padrão de uso e o interesse do consumidor por tecnologia.
VOLVO EX90Fernando Pires/Quatro Rodas
Caso a trajetória de redução de custos realmente se mantenha, a previsão para os próximos cinco anos, dada pelo CEO, pode não ser apenas otimista, mas um reflexo de uma nova matemática da indústria automotiva.
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